terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Nota do INPE sobre o acidente em Ferraz

Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012
Com forte atuação no Programa Antártico Brasileiro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) lamenta profundamente o acidente na Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) e se solidariza aos familiares dos dois militares que foram vítimas da tragédia, bem como a todos os envolvidos no PROANTAR.

No momento do acidente, estavam na EACF dois profissionais do INPE. José Roberto Chagas, da Divisão de Geofísica Espacial, e José Valentin Bageston, da Divisão de Aeronomia, estavam na Antártica desde o dia 10 de fevereiro e tinham retorno previsto para o início de março. Eles estão bem e desembarcaram no Rio de Janeiro na madrugada desta segunda-feira, com o grupo trazido de Punta Arenas, Chile, em avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Ainda hoje ambos devem chegar a São José dos Campos.

Segundo relatos dos técnicos, logo que foram detectadas as chamas na Casa das Máquinas o Grupo Base da Marinha, responsável pela manutenção da EACF, orientou que se deixasse imediatamente a Estação, seguindo as instruções do treinamento que todos recebem rotineiramente para atuar em Ferraz. Até serem levados para a base chilena Eduardo Frei, os técnicos do INPE aguardaram no módulo utilizado para pesquisas na área de Ozônio. Outros pesquisadores foram para o módulo Meteoro, que também abriga instalações do instituto.

Nenhum dos laboratórios do INPE foi atingido pelo incêndio. Os dois mais próximos da estação são os módulos de Ozônio e o Meteoro. Já o módulo Ionosfera fica a aproximadamente 300 metros da estação, enquanto o módulo da Alta Atmosfera, onde estão um radar e instrumentos ópticos, está a cerca de um quilômetro de distância.

Estavam em andamento atividades que preparam as instalações para enfrentar o próximo inverno. Com o acidente, não foi possível tomar nenhuma ação para proteger os equipamentos. Os pesquisadores agora avaliam o retorno à Ferraz para evitar danos à instrumentação, que está sem energia, e dar prosseguimento aos projetos de pesquisas.

Projetos

O INPE possui três projetos na EACF. Sob a coordenação da Dra. Neusa Paes Leme, o primeiro é denominado “A Atmosfera Antártica e Conexões com a América do Sul”. Vinculado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT-APA), o projeto mantém atividades nos seguintes temas: Alta Atmosfera Neutra, Monitoramento da Ionosfera, Ozônio e Radiação UV, Meteorologia e Gases Minoritários.

O segundo é o “ATMANTAR”, que reúne ações em continuidade aos projetos do Ano Polar Internacional, também coordenado pela Dra. Neusa Paes Leme. E o terceiro é chamado “Monitoramento da alta atmosfera na região Antártica e na América do Sul”, que tem como coordenadora a Dra. Emilia Correia. Os projetos são realizados em colaboração com outras instituições nacionais e estrangeiras.

Além dos projetos baseados na EACF, o INPE realiza atividades no âmbito do PROANTAR com o apoio de navios oceanográficos e, desde janeiro, conta com o módulo Criosfera, instalado no interior do continente (na latitude 85°S, a cerca de 500 quilômetros do Pólo Sul geográfico – já a Estação Ferraz, inaugurada há 28 anos, está localizada na latitude 62°S, na borda do continente).

O INPE conduz pesquisas na região desde o início do Programa Antártico Brasileiro, há 30 anos, com estudos sobre a dinâmica da atmosfera, a camada de ozônio, meteorologia, gases do efeito estufa, a radiação ultravioleta, a relação sol-terra, o transporte de poluição, oceanografia e interação oceano-atmosfera.
Fonte: Portal de notícias do INPE.
Nota do Blog
A Dra. Neusa Paes Leme, que faz parte do PPGCC-UFRN atuando no INPE-CRN, deveria iniciar atividades de pesquisa no domingo passado na EACF. Recentemente, entre janeiro e fevereiro deste ano, o Dr. José Henrique Fernandez, docente da ECT-UFRN e membro do PPGCC, esteve realizando atividades de pesquisas nessa estação.

Nota da Presidente Dilma sobre o acidente na Estação Antártica

Nota à Imprensa
Acidente na Estação Antártica Comandante Ferraz
A presidenta Dilma Rousseff recebeu com grande consternação, neste sábado, a informação sobre o incêndio ocorrido na Estação Antártica Comandante Ferraz, que vitimou os militares da Marinha suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e sargento Roberto Lopes dos Santos, e provocou ferimentos no sargento Luciano Gomes Medeiros.
A presidenta determinou ao Ministro da Defesa, Celso Amorim, a adoção de todas as medidas necessárias para salvaguardar a segurança dos cientistas, militares e visitantes que se encontravam na Base.
A presidenta destaca o heroísmo dos militares no combate ao incêndio e, consternada, manifesta sua solidariedade e do seu governo com as famílias dos dois militares, mortos ao servir a Pátria.
A presidenta reafirma a importância do programa de pesquisas desenvolvido na Estação e elogia a abnegação e o desprendimento dos brasileiros que lá trabalham. A Presidente manifesta, ainda, a firme disposição do País de reconstruir a Estação Antártica Comandante Ferraz.
Em telefonema hoje à tarde, ela agradeceu ao presidente do Chile, Sebastián Piñera, o apoio daquele país no socorro e no resgate dos brasileiros atingidos pelo incêndio.
Agradece, também, o apoio e a solidariedade prestados pelos Governos da Argentina, e da Polônia.
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

sábado, 25 de fevereiro de 2012

MCTI: Nota sobre o acidente na Estação Comandante Ferraz, na Antártica

25/02/2012 - 13:43
O Ministério da Ciência,Tecnologia e Inovação (MCTI) lamenta profundamente o acidente ocorrido na madrugada deste sábado (25) na Estação Comandante Ferraz, na Antártica, que acarretou o desaparecimento de dois militares da Marinha Brasileira.

O MCTI, que sempre contou com apoio da Marinha, lembra a importância da presença estratégica do Brasil no continente, por meio da Estação Comandante Ferraz, que tem como fim exclusivo a pesquisa científica.

A estação abriga pesquisadores brasileiros que realizam estudos sobre os efeitos das mudanças climáticas na Antártica e suas consequências para o planeta, além de pesquisas sobre a vida marinha e a atmosfera. Os trabalhos são financiados por bolsas concedidas pelo Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência de fomento vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

O ministro Marco Antonio Raupp vem neste momento se solidarizar com os trabalhadores da Estação Comandante Ferraz e seus familiares, e com os cientistas de todo o país, e reafirmar seu empenho em manter, sem interrupções, em parceria com a Marinha, as importantes pesquisas realizadas pelo Brasil na região.

Fonte: portal do MCTI.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Cientistas chamam atenção para futuro dos oceanos

Por Carlos Eduardo Lins da Silva, de Vancouver Agência FAPESP – A conferência anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS) foi realizada de 16 a 20 de fevereiro em Vancouver, cidade à beira-mar no Canadá. Não por acaso, diversos relatos de pesquisas relevantes sobre a vida e o futuro dos oceanos foram apresentados durante o encontro e chamaram a atenção do público em geral e especialmente da comunidade local.
Uma das exposições de grande repercussão foi a de James Hansen, do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da Nasa, a agência espacial norte-americana. Segundo Hansen, o uso intensivo de combustíveis fósseis e o consequente aumento das temperaturas médias dos oceanos (já bastante superiores às do Holoceno) podem levar, entre outras consequências, a elevações de vários metros do nível dos oceanos e à extinção de entre 20% e 50% das espécies do planeta.
A elevação do nível dos mares coloca em risco a própria existência física de cidades em áreas costeiras de baixa altitude, como é o caso de Vancouver, entre muitas outras. O fenômeno é intensificado pelo derretimento de parte das calotas polares, também decorrente do aquecimento global, especialmente em regiões mais próximos dos polos, como também é o caso da cidade canadense.
O alerta de Hansen, uma das grandes estrelas da reunião da AAAS, teve, portanto, grande impacto na opinião pública da cidade anfitriã da conferência, inclusive porque suas autoridades públicas tomaram recentes decisões que seguem na contramão das advertências do cientista.
Por exemplo, há planos para dobrar a produção de carvão metalúrgico e fazer crescer significativamente a de gás natural liquefeito, não só para atender à demanda local por energia, mas também para exportação.
Menos célebre do que Hansen, mas também muito respeitado na comunidade científica internacional, Villy Christensen, professor da Universidade da Colúmbia Britânica, apresentou resultados iniciais, mas impressionantes, de seu projeto Nereus, cujo nome homenageia o deus grego que previa o futuro e morava no mar Egeu.
Segundo Christensen, as melhores estimativas atuais são de que há nos oceanos cerca de 2 bilhões de toneladas de peixe, ou seja, cerca de 300 quilos para cada habitante do planeta. No entanto, pelo menos metade disso está em zonas muito profundas dos mares, é constituída de espécies pequenas demais em tamanho e, por isso, é inviável para exploração comercial e consumo humano.
E na outra metade, de peixes que medem pelo menos 90 centímetros e são apropriados para alimentação de pessoas, houve um declínio da biomassa de 55% de 1970 até agora. “É uma mudança dramática e global”, disse.
Christensen defendeu que se invista mais em pesquisa sobre a vida marinha e especialmente sobre o impacto do aquecimento global sobre ela para que decisões políticas apropriadas possam ser tomadas, mas – apesar da necessidade de mais estudos – ele acha que o que já se sabe é suficiente para muita preocupação com o futuro.
Por exemplo, há a previsão de que o aumento da temperatura das águas vai fazer com que muitas espécies de animais marinhos procurem as águas mais frias das regiões mais próximas dos polos, o que poderia beneficiar os habitantes dessas áreas.
Mas William Cheung, que trabalha no mesmo projeto Nereus, argumenta que essa conclusão otimista pode ser apressada e errada: diferenças de quantidade de oxigênio em águas frias e quente e a crescente acidificação dos oceanos, outra consequência das mudanças climáticas, também comprometem negativamente a produtividade marítima.
Lisa Levin, do Instituto de Oceanografia Scripps, da Califórnia, em outra atividade da conferência da AAAS, corroborou indiretamente a fala de Cheung. Levin mostrou conclusões de sua pesquisa, segundo as quais o aquecimento dos oceanos produzidos pelas mudanças climáticas está causando a expansão de zonas submarinas de baixo oxigênio, o que afeta negativamente a produção pesqueira de diversas regiões, inclusive as da costa da Colúmbia Britânica.
Levin chama o fenômeno de “compressão de habitat” e disse que ele afeta áreas que se estendem por mais de 150 mil quilômetros em torno das beiradas dos oceanos. Segundo suas previsões, até o ano de 2050, peixes que habitam nessas regiões podem perder 50% na variação da profundidade em que vivem.
Os canadenses são bastante sensíveis para este tipo de problema por já terem visto como podem ser socialmente dramáticos os seus efeitos. Há cerca de 20 anos, a escassez da produção de bacalhau na região de Newfoudland, na costa leste do país, provocou o fim de 40 mil empregos. Diversas espécies de peixe – como o do bacalhau atlântico daquela cidade – estão sendo consideradas como ameaçadas de extinção e sua pesca está sendo restringida ou totalmente proibida.

Mais detalhes na Agência FAPESP.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

ANÁLISE E PREVISÃO CLIMÁTICA PARA O PERÍODO DE MARÇO A MAIO DE 2012 NA REGIÃO NORTE DO NORDESTE DO BRASIL

Análise das Condições Oceânicas e Atmosféricas e Previsão da Temperatura da Superfície do Mar
No oceano Pacífico, persiste a condição de resfriamento das águas com predomínio de anomalias negativas da Temperatura da Superfície do Mar (TSM), principalmente no setor centro-oeste da bacia, típico de um evento de La Niña de intensidade fraca (Figura 1). Com relação à previsão, os resultados dos modelos numéricos e estatísticos indicam a permanência de águas mais frias no Pacífico Tropical, pelo menos até o final do outono no Hemisfério Sul (junho de 2012), indicando a continuidade do evento de La Niña nos próximos meses. No Oceano Atlântico a temperatura da superfície do mar continuou mostrando o setor sul com aguas mais frias do que o normal e um setor norte com águas próximo da normalidade. No campo da pressão atmosférica ao nível do mar, a principal mudança foi a intensificação do centro de alta pressão do Atlântico Norte, o que poderá contribuir para o resfriamento das águas do setor norte desse oceano, possibilitando um deslocamento da Zona de Convergência Intertropical (Principal Sistema Meteorológico causador de chuvas na Região Nordeste do Brasil, no período de fevereiro a maio).
Em síntese, as condições oceânicas e atmosféricas nos oceanos Pacífico e Atlântico Tropical indicam: no Pacífico, condição favorável a um quadro de chuvas regulares com totais em torno da média no Nordeste do Brasil (região semiárida); no Atlântico Tropical, há evidências de condições associadas a anos com chuvas em torno a abaixo da média no semiárido nordestino. É importante ressaltar que um contínuo monitoramento das condições térmicas do Atlântico Tropical, nos próximos meses, é fundamental para definir a qualidade da estação chuvosa no setor norte do Nordeste do Brasil.